O Início

A origem da Esquadra 502 remonta à primeira unidade aérea a que foi atribuída a missão de cooperação com as tropas paraquedistas. Estava então equipada com o Junkers Ju—52/ 3m.

 

As primeiras aeronaves chegaram a Portugal em Dezembro de 1937, sendo utilizadas para bombardeamento nocturno, situação que se manteve até meados da década de 40, quando foram distribuídos pelas Bases Aéreas de Sintra e da Ota, sendo-lhe atribuída em acumulação a missão de transporte. 

 

Em 1954, constituíram-se as tropas paraquedístas, integradas na Força Aérea, ficando instaladas no Polígono Militar de Tancos, junto à Base Aérea. (BA3).

 

Um dos Ju-52/ 3m foi atribuído a esta unidade-base, sendo o embrião de outra unidade aérea que nos conduz à actualidade e à Esquadra 502.

 

A 11 de ]aneiro de 1955, é formada a Esquadrilha de Ligação e Treino (ELT), equipada com 22 aviões ‛‛Piper Cub” L—21 que, além dos serviços de ligação, apoiava o Exército, e dois bimotores ‛‛Oxford" para treino. Nesse dia, é nomeado comandante daquela Esquadrilha o Capitão Fernando Gomes dos Santos.

 

Em Maio do mesmo ano começam a ser recebidos na BA3 aviões Junkers para o lançamento de paraquedistas, iniciando-se os voos de adaptação e os lançamentos a 17 e 30 de Agosto, respectivamente. Com o abrir do leque de missões atribuídas à ELT, foi decidido criar uma Esquadra, que manteria as suas missões e efectivos.

 

A 12 de Abril de 1956 é constituída uma Esquadra Mista com duas Esquadrilhas: uma de ligação e treino com 22 aviões L-21 e dois bimotores Oxford, e outra de transporte com cinco aviões Ju-52, à data com sete pilotos. A Esquadra Mista viria a ser extinta em Dezembro de 1959, e com ela a Esquadrilha de Transporte, dando lugar à Esquadra de lnstrução Complementar de Pilotagem e Navegação em Aviões Pesados (EICPNAP). Esta unidade viria a formar um reduzido número de alunos-piloto, não indo além de dezena e meia, mantendo como principal actividade o lançamento de paraquedistas. Mais tarde são-lhe atribuídos mais dois aviões Junkers e reequipados os restantes com motores Pratt & Whitney R-1340.

 

Nos meses de Novembro e Dezembro de 1960, a França entrega a Portugal 15 aviões Amiot AAC-1 ‛‛Toucan" que, apesar da estranha designação, mais não são que Ju-52/3m construídos pelos Ateliers Aéronautiques de Colombes (AAC), sendo a maior parte entregues à EICPNAP.

 

Com o eclodir da guerra no Ultramar, em 1963, foi decidido formar mais tropas paraquedistas. Foram então introduzidas novas técnicas de lançamento de pessoal e de carga, incluindo lançamentos nocturnos. A EICPNAP é extinta em finais do ano de 1963, sucedendo-lhe a Esquadra de Treino e Transporte de Tropas Paraquedistas (ETTTP). Na prática só a designação mudou, mantendo-se a sua localização, aeronaves e a missão. Os Ju-52/ 3m são ‛‛baptizados" de Tartarugas e surge o primeiro distintivo, uma ‛‛tartaruga-aviador" transportando um paraquedista num carro de bebe.

 

Com o incremento do esforço de guerra, os “velhinhos” Ju-52/ 3m são explorados intensivamente no treino de tropas paraquedistas, falando-se na sua substituição por aeronaves C-47 “Dakota". Mas tal não ocorreu e os Junkers continuaram a cumprir a sua missão, aproximando-se cada vez mais o fim da sua vida operacional.

 

A ETTTP, que formou com elevado espírito de missão sucessivos cursos de paraquedistas, foi finalmente extinta em 1971, dando lugar à Esquadra 32. Pouco após a sua constituição, ainda durante o ano de 1971, recebe os primeiros Nord Aviation ‛‛Noratlas", um deles da versão N-2502A n° 6406 e três N—2501D n°s 6422, 6426 e 6427. Os JunKers continuariam, apesar da sua idade avançada, a voar até ao ano de 1972.  

 

Com a substituição do vetusto Ju-52 por aviões modernos, são também actualizadas a doutrina e os procedimentos operacionais. A missão da Esquadra passa a incluir, para além do lançamento de paraquedistas, o transporte geral, com voos à Madeira e Açores, Europa, Cabo Verde e Guiné, a formação de tripulantes em Noratlas e a formação de navegadores. 

 

Seguiu-se, a tão desejada reactivação da Escola de Plurimotores da Força Aérea, substituindo a existente na BA4, equipada com aviões C-47, que foi fundada na BA2, para aí ser transferida em 1964.  

 

É criado um novo distintivo, com um ‛‛Noratlas" visto de frente, voando sobre uma carta de navegação limitada pelas pernas de um compasso, cujo lema ”Passaram Indo Além da Taprobana", significativo das viagens que realizou. Em fundo, conseguem distinguir-se dois paraquedas abertos, um com carga suspensa e outro com um paraquedista, simbolizando as outras missões da Esquadra: - o Transporte de Tropas Aerotransportadas e o Lançamento de Carga.

Terminado o conflito ultramarino, alguns dos Noratlas continuaram a voar na Esquadra 32 até 1976.

Em finais do ano de 1974, começam a chegar à Esquadra os primeiros CASA—212/ 100 ‛‛Aviocar”. Foram os primeiros aviões com motores turbo-hélice a operar na Força Aérea Portuguesa, representando um importante salto qualitativo, visto estarem excelentemente equipados para o voo com instrumentos e navegação.

 

Os primeiros C-212/ 100 “Aviocar” (6501, 6502 e 6503) chegaram à Base Aérea nº 3 entre Outubro e Novembro de 1974. A última aeronave (6520) seria entregue a 9 de Abril de 1976, sendo transferida para a Base Aérea n° 4 ainda durante esse ano. Os “Aviocar” mantiveram todas as missões atribuídas ao ‛‛Noratlas".

A missão ‛‛Escola", isto é, a formação de pilotos em aviões multimotores e a de navegadores, passa para a Esquadra 111 incorporando também a instrução em helicópteros.

Entretanto, em 1978, a Esquadra 32 é extinta, sendo criada a Esquadra 502.

 

 

 

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